quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Concílio Vaticano II


O Concilio Vaticano II foi um marco na história de nossa igreja, um divisor de águas, antes uma igreja que “fornecia a fé” passou a “vivenciá-la” com seu povo, caminhando junto, permitindo-se experimentar a maravilha da fraternidade. Fraternidade esta que nos levou a crescer como instituição, que com seus “novos” membros atuantes (leigos) inseridos no mundo como agentes pensantes e transformadores das realidades (segundo o evangelho que nos é proposto a cada encontro nos grupos pastorais e na própria missa) nos vimos co-responsáveis e conseqüentemente mais sensíveis as mazelas do povo mais sofrido e menos assistido pelo Estado. Esta visão crítica de transformação pelos mecanismos sociais, também só nos foi possível evidenciar através da expansão ideológica da vivência cristã proposta no Concílio Vaticano II, dando origem as CEB’s e Movimentos Eclesiais, que hoje disseminam, nos mais diferentes carismas o seguimento a Jesus Cristo.

Estou lendo atualmente o título: “Novas fronteiras da igreja: o futuro de um povo a caminho” (Leonardo Boff), que diga-se de passagem aborda as transformações geradas através do Concílio Vaticano II, principalmente no que se refere a participação e ao conceito de “Povo de Deus”, uma reflexão muito interessante e que só tem somado junto as fichas de estudo que tenho acompanhado aqui no AVF (recomendo).

A Igreja instituição tomou um passo importante e ousado no Concílio Vaticano II, no que se refere a sua abertura, ao acesso ecumênico, isso mostra maturidade e discernimento diante da mensagem libertadora de Jesus Cristo, quebrando barreiras teológicas para discutir o essencial, aquilo que nos é comum como cristãos (o centro: Jesus Cristo). Até porque, como mencionado nos documentos do Concílio Vaticano II e relembrado em nossa ficha de estudo “...o Espírito Santo é livre e sopra onde quer...”

Diante disso, somos chamados a viver na simplicidade, na proximidade similar as primeiras comunidades, entretanto colocando em ação os benefícios que a “evolução” nos trousse com o passar dos tempos, experimentando o diálogo sem condenação, sem julgamento das diferenças, sem cometer os mesmos erros que cometemos através da história em inúmeras culturas distintas, impondo a fórceps a verdade que lhe era confiada.

Verdade esta que foi transmitida e mais do que isso “vivida”, pelo próprio Jesus, em plenitude, com exemplo de libertação e quebra de paradigmas, convertendo e revelando seu projeto de VIDA na vida de forma a seguirmos como exemplo.

A abertura de nossa igreja a participação do leigo, mostra também nossa importância para a manutenção da mensagem de Jesus, Ele no quer participantes na construção de seu Reino. E para isso nada mais ilustrativo como a carta do Beato João Paulo II aos jovens:

“Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog , que usem jeans , que sejam internautas, que escutem discman (acho que aqui já cabe um iPod).
Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo mas que não sejam mundanos".

De fato os desafios lançados no Concílio Vaticano II marcaram e ainda marcam por tamanha dimensão dada na trajetória de nossa igreja, principalmente na América Latina e no Brasil, onde tivemos inúmeras ações revolucionárias voltadas ao pobre e ao jovem, ações antes “nunca imaginadas na história desse país” (epa.. eu conheço esse jargão) rs...

Brincadeiras a parte, a proximidade entre povo e o reino que o fora prometido, parece menor quando inculturadas novas iniciativas de transformação voltadas ao essencial, ao amor, ao respeito, ao zelo, a fraternidade e a comunhão.

E o Concílio Vaticano II continuará marcando a vida eclesial a cada passo dado em direção ao encontro com Jesus, em suas diferentes formas de manifestação durante nossa peregrinação.

Como a Igreja pode ser presença divina e salvífica num mundo de mudança constante?
Sendo libertadora, propiciando momentos de formação, de questionamento, de reflexão profunda sobre as estruturas em que vivemos, mobilizando, transformando um aglomerado de pessoas em efetivamente Povo de Deus. Povo que caminha, peregrina objetivamente em direção a implantação do Reino de Deus, hoje!

Sendo presente na vida do homem contemporâneo, participando de suas transformações enquanto sociedade e buscando entender as causas das mudanças constantes, questionando seus objetivos e contrapondo-os frente aos valores evangélicos.

Grande Abraço,
Rafael

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